terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Paula Ramos Esporte Clube - O primo pobre da capital...

"... Um time fantástico! Jogava por música!"

Enquanto seus primos - Avaí e Figueirense - se tornavam grandes clubes catarinenses, o Paula Ramos abria mão do futebol profissional, e deixava em branco mais uma belíssima passagem do nosso esporte...

...Eram tempos diferentes numa pacata Florianópolis. Nas ruas, carros a cavalo eram bastante comuns, e os assuntos esportivos giravam em torno das preferências por Avaí e Figueirense, ou pelas competições de remo na baía. Santa Catarina era então governada por Nereu Ramos e a população da capital não ultrapassava os 45 mil habitantes.


O Paula Ramos obteve uma série de conquistas esportivas, a maioria ligada ao futebol. Da época da fundação, em 1937, até 1943, o clube participou apenas de competições amadoras. Em 1944, entrou na fase do profissionalismo, formando um time que, mais tarde, nos anos 47 e 48, se tornaria bicampeão da cidade de Florianópolis. Em 1948, seria vice-campeão estadual.
No início da década de 1950, o clube passaria a investir em suas divisões de base, obtendo rapidamente bons resultados, como a conquista do campeonato estadual de aspirantes, em 1950. Seis anos mais tarde, venceria os campeonatos estaduais nas categorias juvenil, aspirantes e profissional. Porém, o maior feito esportivo foi a vitória no campeonato estadual de 1959. O radialista Roberto Alves, da Rádio Guarujá, é enfático: “O campeonato de 1959 foi o melhor que já existiu em Santa Catarina. O time era fantástico, foi o melhor time catarinense que já vi jogar – jogava por música”.

Mas, o sucesso do time de 1959 marcaria o início da sua derrocada. Com o prestígio obtido após o campeonato, os jogadores acabaram se transferindo para outros clubes. Ainda assim, o clube manteria sua trajetória vitoriosa conquistando o Campeonato da Cidade nos anos de 1961, 1962 e 1964. De acordo com o ex-presidente Alexandre Carioni (1966/1967), a diretoria do clube chegou à constatação que manter um time dentro das competições era algo inviável. “Quase acabamos com o nosso time de 67”.

“Quando assumi a presidência do clube, pegava a Kombi do meu pai e apanhava os jogadores de porta em porta para levá-los aos jogos. Depois de ter feito isso três vezes, na quarta eles mesmos se dirigiam ao campo de ônibus – num claro sinal de reconhecimento”, comentou o ex-presidente Joel Gomes Mendonça. Em 1969, o clube abandonou o futebol.


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